domingo, 16 de janeiro de 2011

Fim


Para Jorge Amado, que nunca conheci nem admirei.

Mas que vontade de pegar a passagem
Ter como pagar
Embarcar no das 16h
E ver os campos
De cana-de-açúcar
Sem fim.
Passageiro.

Rodoviária é sempre deprimente.
O fim de tarde.
Estradas de São Paulo.

Que mais doce visão
Que poente
Arrombando a retina
Sem a sombra das velas dos barcos
Sem o som das ondas
Sem as calçadas
Sem graça.

Tapetes verdes,
Que horror.
Faz desta paisagem
O mais amargo quadro
A mais seca brisa
A mais forte economia.

Estrada sem fim, maldição.
Os mesmos campos,
As mesmas cidades,
Repetição.

Nenhum comentário:

Postar um comentário